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Consciência Negra

Estamos em novembro, hoje já é dia 22… e a gente ainda não tinha conseguido parar pra escrever aqui. Mas, nessa linda manhã de quinta-feira, me obriguei a cumprir a tarefa. Isso porque já estava sentindo falta de sentar e com calma pensar em algo fora da rotina. Texto para o blog pra mim é assim: tem que ser algo que faça parte de nós. E por isso, não pode ser escrito só pra estar ali, tem que ser pensado e desenvolvido em uma ocasião em que tenhamos tempo para fazê-lo. Só que tempo nos dias de hoje, é algo quase impossível. E assim, torna-se necessário, em algum momento, decidirmos que precisamos parar e fazer, como tarefa mesmo, só que daquelas que quando começamos é muito prazerosa!

Bom, iniciei o texto dizendo que estamos em novembro. O mês que tem um dia para celebrar a consciência negra. E que pelo menos até o dia 20, data marcada pela morte de Zumbi dos Palmares e por isso escolhida para essa celebração, o assunto fica em voga, vira pauta. São muitos os festejos, as homenagens, os textos, frases, gente pensando e falando sobre, o que a meu ver é bom, pois de uma forma ou de outra, chama-se atenção, dá-se importância, reflete-se. Porém, por que só em novembro?

Para nós, negros, a pauta é diária. Mas, infelizmente muito injusta. Nosso dia a dia é “hard”, difícil mesmo! Somos a maioria nas favelas, somos a maioria de desempregados, somos a maioria nos trabalhos onde o principal é servir, e somos nós, também, que mais morremos, nesse país! Contudo, 130 anos após a assinatura da abolição da escravatura, sinto que também podemos ser maioria na hora de questionar, de lutar por direitos, de se colocar, mesmo que ainda a minoria, detentora do poder, não queira!

Estamos, aos poucos, é verdade… Mas, estamos, sim, ocupando espaços onde não nos imaginavam. Olham-nos de cara feia, comentam, demoram a nos atender, fazem de tudo para que pareçamos invisíveis, mas nós estamos ali, chegando, com a cabeça levantada mesmo, usando as roupas e acessórios que gostamos, escolhendo lugares, sentando em cadeiras nas universidades, entendendo que precisamos estar nas câmaras municipais e assembleias legislativas, assim como no Congresso Nacional, tendo a consciência de que realmente somos a maioria da população. E com isso, não temos só o direito, mas o dever de nos unirmos para buscarmos a igualdade, que é tão falada, durante esse mês de novembro, porém quase sempre renegada durante os outros onze meses do ano.

A DJL Comunicação nasceu para atender a todos, mas temos mesmo um carinho especial e um orgulho danado de sermos negras, de comunicarmos o sucesso dos nossos, de oferecermos pautas relevantes, de vermos pretos e pretas nas rádios, nos jornais, sites e programas de TV, não só em novembro, mas durante todo o ano.

Fazemos questão de estudar, nos aprofundar, buscar soluções, entender o mercado, dialogar e também, levantar a voz, se for preciso, para que a cada dia mais mostremos que vidas negras importam e que não queremos ser maioria somente nas páginas sobre obituários e polícia.  Queremos estar presentes na economia, na política, nas artes, na comunicação e em tudo o mais que surgir e for possível. Já nos demos as mãos e não vamos mais largar!